quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Exatidão de sentimento.


Falta-me algo hoje.
Estou aqui nem sei como...
Apenas não sei e pronto, porém estou.
Meio assim, meio nada, meio tudo.
Dizem que pode ser saudade.
Eu diria necessidade.
Talvez ambos.
Quem provém de quem, afinal?
Estou certa de que encontro-me entorpecida pelo teu gosto, pela tua pele, por você. Doce e maliciosamente entorpecida.
Estou perdida no tempo, no espaço.
Não me acho e nem quero.
Quero que você me ache.
Me acha, vai...
Me pega e me invada afinal hoje te permito fazer de mim o que quiser. Faça, por favor... eu deixo, eu quero, eu preciso me conceder a essa entrega submissa.
Te quero deliciosamente certa de que não como quis tantos outros pois os outros tinham um lado só, o lado que eles queriam mostrar.
Você se mostra inteiro, sombrio e claro, doce e acre, denso e leve, intenso e calmo, enfim sem pudores e sem medo...
Te quero nu e te quero cru.
Te quero bem e te quero mal.
Te quero devasso e te quero anjo.
Te quero casto, porém ainda mais, muito mais indecoroso.
Te quero menino, tímido, sereno.
Te quero homem, descarado, despudorado.
Quero te amar em uma cama com pétalas de rosas e lençóis de cetim.
Quero te amar com urgência no banco de trás do carro.
Quero te amar na lama e ter sua boca com gosto de chuva.
Quero te amar na areia da praia e observar teus olhos mirando as estrelas e a lua.
Quero teus sonhos, entretanto os pesadelos devem vir pois também os quero.
Quero teus amores amados...
Ou simplesmente os prazeres de amores.
Quero ser teu presente e teu futuro.
Quero tuas lembranças, tuas histórias.
Adoro teu passado meigo, lascivo, devasso.
Adoro o teu preto e o teu branco.
Adoro todos os teus lados, frestas, cantos, ângulos, retas e curvas.
Te quero assim dessa forma e sem forma exata.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Saudade...


Saudade aqui de você,
dos seus beijos no meu.
Saudade de você no meu olhar,
e do seu olhar confinando o meu
a querer somente te amar.
Saudade deste sorriso
enfeitando meu dia,
mostrando para mim a alegria
de viver e te desejar.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Para recomeçar o infinito



Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda

domingo, 10 de janeiro de 2010

Melancia


"Sabem como é. Às vezes, você conhece uma pessoa maravilhosa, mas apenas por um rápido instante. Talvez em férias, num trem ou até numa fila de ônibus. E essa pessoa toca sua vida por um momento, mas de uma maneira especial. E, em vez de lamentar o fato de ela não poder ficar com você por mais tempo ou por você não ter a oportunidade de conhecê-la melhor, não é mais sensato ficar satisfeito por ter chegado a conhecê-la um dia?"







Trecho do livro.. perfeito não?